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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Despedida

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.


A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.

(Martha Medeiros)


8 comentários:

  1. Lindo, adorei.
    Martha Medeiros é demais.
    Abraços
    Madalena

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  2. Olá Ré, conclusão; Amor cria dor! Por isso pergunto o que é Amor? Naturalmente obterei respostas diferentes a classificarem essa dor. Amor para mim, sob vários significados, é viver pensando nos outros.
    Gostei
    Abraço

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  3. Olá Re!

    DE fato o amor de suas vantagens, mas também tem suas agruras, além de um preço muito alto.

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  4. Oi Re! O amor é um sentimento muito complexo... O pior é quando temos a experiência de aprender a gostar de alguém e pouco tempo depois aprender a esquecer... é muito complicado, mas com o tempo conseguimos... E se encontramos alguém para preencher, essa lacuna, fica muito mais fácil passar..
    Abraços! Gostei muito de refletir um pouco.

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  5. Oi Re!
    Lindo texto, sobre o amor...amei!

    O amor♥ é sofredor, é benigno; o amor♥ não é invejoso; o amor♥ não trata com leviandade, não se ensoberbece. 1 Coríntios 13:4

    O amor♥ tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
    1 Coríntios 13:7

    Tenhas um feliz e abençoado final de semana!
    Bjssssss

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  6. Olá que lindo é verdade precisamos se desprender,para amar outra vez.bjs

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  7. E quando a gente sofre por outro? Eu não gosto de ver gente amada sofrendo por amor, pois dói em mim também...
    Abraços.

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