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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Liberdade, Prisão de Muitos


Há os que estufam o peito para falar sobre ela ou ainda para reivindicá-la, como se liberdade fosse apenas desatar o grito incontido ou esvaziar do peito a insatisfação ou alegria comprimida.

Já se disse, num passado não muito distante, em um comercial de televisão que “liberdade é uma calça velha, azul e desbotada, que você pode usar do jeito que quiser“, como se esta estrada fosse trilhada na solidão dos nossos passos, ignorando as pegadas dos que nos cercam.

Há os que se arvoram e adentram nas linhas da retórica, desenlaçando palavras de ordem,
regurgitando “chavões” e ilhando-se na miopia do não perceber-se, enquanto partícipe dos processos de avanços ou recuos nossos e do nosso País. Penso que apenas a palavra que esculpe o desacerto, destituída de sugestões para o enfrentamento das questões que nos envolvem é uma apologia à inoperância. Enquanto cruzarmos braços e nos utilizarmos tão somente das letras que transbordam facilmente dos nossos lábios ou das nossas mãos, seremos sempre promessas de homens e de um País do futuro. Ora, liberdade é mais que uma via de mão dupla e existem sempre mais transeuntes neste caminhar.

Talvez, aqui caiba uma menção ao livre arbítrio, com que o Mestre Maior tão generosamente nos agraciou. A vida, a todo e a qualquer momento, nos convida a escolher. E isto é também uma forma de liberdade ou de auto condenação. Cabe-nos alargar nossa visão e fazer do ato de olhar, algo mais que ver.

Liberdade requer interação. A crítica vazia, efetivada por lábios e mentes ávidos, mas inoperantes, acaba por ser cárcere e prisão solitária. Lembro-me de um antigo colaborador que possuía inata “habilidade” para desembrulhar erros e falhas existentes no País, nos Governantes e também aos que mais próximo lhe rodeavam. Detinha visão requintada para apontar problemas e desmandos, usando da propalada liberdade de expressão, que tanto lhe faltara, quando o Brasil vestia a armadura da ditadura militar. Quando questionado sobre alternativas para corrigir rumos, o silêncio era proporcional à extensão do discurso do desagrado. Igual emudecimento se dava, quando eu perguntava sobre onde, ele poderia contribuir para a mudança deste cenário.

Ora, falar apenas o que se pensa e se sente, soa-me como liberdade falaciosa. A palavra, assim como o sonho sem ação cria bolor. Deixemos as letras em silêncio, enquanto não tivermos disponibilidade para desalgemar nossas mãos ou enquanto tivermos dedos que apenas apontam, mas que não se misturam na argamassa do realizar. Ser livre é um ato responsável e de comprometimento com a transformação daquilo que nos soa como erro ou atitude falha. Liberdade é ser cúmplice de destinos, sabendo que a nossa ação pode ser redenção para nós próprios e para outros tantos.

Talvez, fosse oportuno nos indagarmos, o que andamos deixando de fazer, para contribuir para o descarrilar do comboio desta tal liberdade! 

Texto de:Fernanda Guimarães 

do site:
http://www.notivaga.com.br

6 comentários:

  1. Sensacional seu texto parabéns, gostei mesmo, e também adorei o novo visual, muito legal bem suave.
    Abraços forte

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  2. Saudações!
    Amiga Regina,
    Que Post Fantástico,
    Uma abordagem respeitável sobre a tão cobiçada LIBERDADE!
    Parabéns pelo magnífico texto!
    Abraços!LISON.

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  3. Parabéns pelo post realista e direto..

    bjs

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  4. Rê! Teu blog ficou lindo! Adorei as cores, tudo!
    E o texto também. Parabéns pela tua escolha, para Fernanda também!
    Bjão!

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