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quarta-feira, 17 de março de 2010

Uma vida sem carro



Meu amigo Sidney comentou que uma vida sem carro, torna-se uma desgraça para o homem. Estou começando a concordar com ele. Aquele cara que nunca teve um carro – meio de locomoção que leva de um lado para outro – sempre viveu assim e não sente a menor falta de tal equipamento. Mas, aquele que já teve o prazer de sentar sua bunda em um veículo motorizado, e depois fica sem, sente a diferença.

Em primeiro lugar não é mais o primeiro. Vamos contar como o último lugar. O cidadão passa a andar de ônibus. Perdendo o costume de tal transporte, ele tem que perguntar para todo mundo se aquele ônibus passa naquele lugar. O trocador nunca tem o troco. Nem sei por que chamam ele de trocador se ele não troca nada. Outros costumam chamá-lo de cobrador. Mas, se não me engano o cobrador é aquele cara que vêm na porta cobrar uma dívida.



Voltando ao cara sem carro. Você começa a sentir a diferença em tudo que faz. Quando vai atravessar uma rua, tem sempre o motorista que joga o carro em cima. Coisa que você também fazia quando tinha carro. Lógico que para você era o pedestre o errado. Esperando o ônibus no ponto no dia de chuva. Sempre existe o senhor engraçado que passa na poça molhando sua roupa novinha. Coisa que você também adorava fazer, quando tinha carro. O conhecido que você pede uma carona, e ele sempre diz que está indo para outro lado. Argumento que você também usava, quando tinha carro.

Então as outras coisas começam a serem percebidas. Os amigos não telefonam mais para sair com você. Aquelas viagens para lá e para cá, esquece. Afinal, você não tem mais carro para levá-los. No carro deles é que você não vai. E quando combinam com você de ir para algum lugar, eles sempre levam aquele outro amigo que nunca tinha ido antes. O amigo leva uma namorada de quebra. Como o carro tem cinco lugares, sobra uma vaguinha para você na volta. Mas, eis que surge uma pessoa da família.

O seu amigo de carro não pode mais trazê-lo. A preferência é do familiar, lógico. E aquele amigo que foi junto, e nunca tinha dado a menor bola de ir antes.

A lista não acaba por aí. O zelador do prédio já não lhe diz mais bom dia. O porteiro da garagem faz de conta que não te conhece. O porteiro de cima, fica lendo o jornal e nem faz questão de abrir no mínimo o portão de pedestre para você. O frentista daquele posto que você abastecia todos os dias, cerra as sobrancelhas fingindo não estar enxergando você direito. O mecânico que ganhou tanto dinheiro nas suas costas, vira-se dando à entender que não viu você passando, à pé.

Mas o pior de tudo é aquele super amigo. O seu cachorro. Ele que sempre ao sair vinha abanando o rabinho, sabendo que iria sair de carro, abandona-o totalmente. Você chama ele para ir na rua. Ele nem olha para você, e continua se lambendo como se nada tivesse ouvido. Talvez nos seus pensamentos venha a idéia – eu vou sair caminhando com minhas patinhas no sol? Deixa esse pobre ir sozinho – e você sai solitário. E sem carro.

Agora todos os dias que saio sem carro, lembro-me disso. A única coisa que tenho a dizer à respeito de tudo:

- Carro ainda terei outro logo. Amigos, nunca mais.

Fica a lição para todos que têm um carro. Um dia vocês poderão ficar sem este seu meio de transporte. Não tenha esperanças, os amigos que você tinha, não terá mais.

Crônica de Paulo Almeida, 35 anos, Dono-de-Casa - São Paulo/SP

 Do site: http://www.cronistas.com.br

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