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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Cala a boca, cabeção!



Desde que o filósofo francês Descartes escreveu, no século XVII, a tão difundida e venerada frase Penso, logo existo, muitas coisas estranhas têm acontecido no que diz respeito a este assunto.

De fato, passamos a pensar mais e mais e a considerar que quanto mais alguém pensa, mais esse alguém vive e, consequentemente, melhor esse alguém se torna. Ainda que haja certa verdade nesta idéia de que pensar é uma boa maneira de fazer o ser humano evoluir, creio que temos nos equivocado profundamente sobre a essência desta frase!

Basta observar para perceber: durante os últimos séculos e especialmente as últimas décadas, temos pensado cada vez mais, temos tido acesso a um número cada vez maior de informações, nunca
estivemos tão expostos à tecnologia e ao avanço de diversas áreas técnicas. No entanto, que estranho... temos existido, genuína e essencialmente, cada vez menos.

Falo da existência plena, de estar conectado com o presente, vivendo o que está acontecendo agora. Falo de se dar conta das sensações que podem ser experimentadas neste momento, de conseguir olhar verdadeiramente para si e para o outro.

Falo de uma existência que só é possível quando a gente deixa aflorar algo que está muito além do exercício desenfreado do pensamento. Falo de sentir, de agir, de ser.

Felizmente, depois de Descartes, a voz do povo criou o provérbio: Quem muito pensa, não faz!. Neste, sim, eu aposto. Quantas vezes deixamos de dar uma idéia pro chefe porque entramos num redemoinho de pensamentos que gritam em nossa mente: será que ele vai me ouvir?, será que é mesmo uma boa idéia?, será que não vão se aproveitar da minha criatividade?.

Ou ainda, quantas vezes deixamos de viver um amor porque mergulhamos em pensamentos do tipo e se eu não for correspondido?, será que é a pessoa certa?, e se eu me der mal?.

Talvez você se identifique mais com algo assim: há tempos você se planeja para começar a freqüentar a academia, mas seus pensamentos lhe paralisam repetindo sorrateiramente melhor deixar para o mês que vem que terei mais dinheiro disponível, já me sobra tão pouco tempo, que a academia só complicaria mais minha vida, poxa, ir sozinha não tem graça!... e por aí vai!

E o pior de tudo é quando pensar não o deixa dormir. Você deita na cama se sentindo exausto, mas lá estão os seus pensamentos mais acordados do que nunca, perturbando seu sono, lhe roubando a tranqüilidade e fazendo com que você se transforme num pastel, rolando de um lado pro outro durante horas.

Note como você abandona seus planos e termina não realizando tantos sonhos simplesmente porque se deixa dominar pelo excesso de pensamentos inúteis. Observe como sua mente tenta prever o futuro para convencê-lo de que é melhor desistir, não arriscar.

E se isso faz sentido pra você, preste atenção: você se tornou um cabeção. Sua mente parece mais um hospício do que um templo, quando deveria ser justamente o contrário: muito mais silêncio e muito mais foco do que desculpas, nada mais que desculpas.

Da próxima vez que se encher de coragem para dar um novo rumo à sua vida e, em seguida, sua mente começar um bombardeio de se, será?, deixe pra semana que vem, não tenho tempo, quando eu tiver dinheiro, grite o mais alto que conseguir, para si mesmo: CALA A BOCA, CABEÇÃO! e simplesmente FAÇA!




Rosana Braga é Palestrante, Jornalista, Consultora em Relacionamentos

e Autora dos livros "O PODER DA GENTILEZA" e "FAÇA O AMOR VALER A PENA", entre outros.

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