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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Repetimos a história passada?


Imagem retirada do google imagens


Será possível evitarmos repetir comportamentos ruins herdados e
aprendidos de nosso passado infantil? Há jeito. Veja como.
Maria nasceu no interior, sendo a mais velha de cinco irmãos. Sua
mãe cuidava da casa, seu pai era empregado numa fazenda e tinha


problemas com a bebida. O alcoolismo atinge cerca de 10% à 12% da
população mundial.




O pai de Maria piorou na bebida, agredindo
filhos e esposa e um dia decidiu expulsar sua mulher de casa. Maria o
odiava e referia-se a ele como “bêbado malvado”. Ela ía para um canto da
casa, nos seus 8 anos de idade, tremendo de medo ao ver seu pai


chutando os irmãos e gritando com a mãe dela. Ao ele berrar que a esposa
sairia de casa, as crianças se agarraram na saia dela, suplicando para
não ir. Ela saiu, ameaçada pela violência do marido.




Alguns
irmãos foram morar com parentes e Maria ficou com o pai, crescendo cheia
de amargura e ódio por ele pelo que ele havia feito com a família. Aos
20 anos de idade ela se casou e ficou anos sem notícias dele. Um dia ele
apareceu procurando por ela. Ele estava mudado. Havia recebido ajuda
emocional e espiritual e procurava cada filho para uma reconciliação.
Maria havia jurado que não falaria com ele. Não usava mais a palavra
“pai”, referindo-se a ele como “aquele cara”. Ela não queria
reconciliação. Queria distância dele. Havia tomado a decisão de não ser igual a ele no lidar com os filhos. Ela tinha três filhos agora. E lidava com eles de maneira ditatorial, agredindo-os com palavras duras,
tão dolorosas quanto às de seu pai no passado. Ela não percebia isto.
Não queria perceber? Nunca perdoava, nunca pedia perdão. Implicava com
Teresa, sua filha do meio, gerando nela revolta e rebeldia.Na adolescência Teresa se envolveu com drogas e a mãe a expulsou de casa.
Alguns filhos, o do meio têm problemas emocionais complicados porque em
geral o mais velho recebe afeto especial por ser o primeiro, e o mais novo por ser o caçula. O do meio fica meio perdido. Após um casamento
complicado com um dependente químico, Teresa teve José, que ao chegar na
adolescência não aguentava mais as implicâncias da mãe porque ele usava
cabelo comprido, óculos escuros o tempo todo e não comia carne. E ela
que tinha sido hippie! Ela não controlava sua irritabilidade exagerada e
sempre agredia verbalmente o jovem filho adolescente.




Aos 18
anos José se juntou com uma mulher mais velha que ele 10 anos. Está na
moda isto? É sintoma de algo? Estão copiando alguma novela? Se separou
dela oito meses depois, dizendo que ela implicava demais com ele. Igual à
mãe dele? É possível casar com alguém bem diferente do pai ou mãe em
termos de personalidade? No segundo relacionamento de José, sua mulher
sofria porque, dizia ela, ele ficava facilmente irritado e a destratava
com palavras duras, embora não a agredisse fisicamente como o avô fazia
com os filhos e a esposa. A repetição do comportamento entre gerações
nem sempre ocorre igualzinho.




O pai de Maria, Maria mesmo, sua
filha Teresa, o filho José, cada geração repetindo o mesmo comportamento
emocional, com diferenças, mas o mesmo problema central: amargura,
rispidez, abuso verbal. Parece um defeito no DNA passado geneticamente.
Mas felizmente a genética não explica tudo. Ela não determina
inevitavelmente nosso comportamento. Existe o aprendizado, a escolha, a
capacidade de raciocínio, o livre arbítrio e é isto o que pode levar à
neutralizar as tendências hereditárias genéticas e aprendidas, para
doenças do comportamento.




Temos que repetir a história do
passado? Sim e não. Sim, pelo poder da influência hereditária e cópia do
modelo observado durante a infância dos adultos com quem a criança
viveu. Não, porque a genética não nos obriga a, inevitavelmente, repetir
os mesmos comportamentos. Se assim fosse, por exemplo, todo filho de
alcoólico teria que ser alcoólico. Apesar de que a ciência comprova que
filhos de pais com alguma compulsão têm maiores chances de desenvolverem
talvez a mesma compulsão comparados com filhos de pais sem compulsão
por qualquer coisa.




Evitar repetir a história ruim do passado
requer (1)lembrar dela ao invés de fugir da mesma como se nada de ruim
tivesse ocorrido; (2)observar com sinceridade e honestidade o próprio
comportamento para ver se e como ocorre a repetição de atitudes
desagradáveis que você jurava que nunca iria ter com as pessoas; (3)ao
perceber seu comportamento destrutivo herdado e cultivado, decidir lutar
para mudá-lo por ver que ele está destruindo relacionamentos, e
(4)agir, fazer, atuar, treinar conscientemente o novo comportamento
saudável. Você muda quando você muda. As pessoas ao nosso redor (filhos,
marido, esposa, esposo, etc.) não têm culpa dos problemas de nosso
passado. Não temos o direito de estressar a vida delas por causa de
nossos conflitos. É difícil mudar. Mas tem jeito. O pai de Maria
conseguiu.




(Os nomes citados aqui são fictícios.)




Escrito por PortalNatural


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