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sábado, 10 de dezembro de 2011

Tão fúteis, tão úteis


Quem ainda não perdeu uma noite de sono preocupado com a cor da tinta da parede da sala? Todos nós gastamos um tempo com essas bobagens que no fundo ajudam temperar a vida.

Ter uma tarde livre. Olhar vitrines, experimentar roupas mesmo sem comprar, mas desejar ardentemente aquele

vestidinho simpático que parece ter sido feito especialmente para você. E sentar no sofá e ficar imaginando a mudança da posição dos móveis e dos enfeites.Ir com uma amiga a um shopping, ver um filme e passar a tarde tomando sorvete e comendo tudo o que a sua dieta não permite.

Chamar à vizinha e conversar sobre o sabão, a receita de bolo, o calor ou o frio. Adquirir qualquer coisa que queria tanto: uma bijuteria, uma blusinha e depois ficar experimentando e olhando toda hora e gostando, gostando. Plantar flores no jardim. Imaginá-las floridas, trocar a cortina do quarto.

E num dia em que lhe sobra algum dinheiro e vê na vitrine o xale dos seus sonhos ou a sandália de lacinho que ficará linda no seu pé e compra sem remorso, você traz para casa aquela felicidade paga, mas que faz um bem enorme.

É gostoso ser fútil de vez em quando. São pequeninas coisas que animam a vida. Chorar ao ver a novela, brigar com os personagens, ler as fofocas nas revistas, pesquisar moda e decoração e brindar os olhos com coisas bonitas.

Passar tantos minutos diante da vitrine de jóias a ponto de incomodar o segurança e olhar cada detalhe das peças e sentir que naquele momento todas elas são suas. Trocar as flores dos vasos, discutir com a costureira a reforma de uma roupa, contar quantos botões já brotaram das roseiras, ler repetidamente o cartão que lhe enviaram.

Passar o ano todo juntando um dinheirinho e depois reformar o banheiro, pintar a casa, mudar a porta de lugar, comprar um objeto qualquer ou trocar a mesa da cozinha. Custar dormir tentando resolver a cor do vestido que usará na festa para a qual acabou de ser convidada.

Vibrar com a perspectiva de uma viagem, bater papo com amigos pelo telefone ou Internet, ficar feliz porque o bolo cresceu, o jantar foi elogiado, alguém notou que você está mais elegante e que o creme para o cabelo funcionou.

Sair para caminhar e ficar observando os detalhes do caminho, falar mal de alguém nem que seja de nós mesmos, tomar uma taça de vinho numa noite estrelada e ouvir música clássica, reunir amigos e cantar ao som de um violão ou acompanhada pelo karaokê.

São pequeninas doses de felicidade, sem as quais a gente até viveria, são acessórios, coisas às vezes tão inoportunas, mas que deixam a alma em férias, o pensamento leve e a vida reativada pela força desses pequenos prazeres.Coisinhas insignificantes, concretas ou imaginadas que estimulam a força interior para as coisas mais sérias.

Saber dosar o árduo e o ameno, o difícil e o fácil demais, sonhar nos intervalos das batalhas, contar estrelas e reverenciar a lua cheia, toda orgulhosa do seu passeio pelo céu, aproveitar o momento, buscar nas coisas ingênuas algum motivo para ser feliz.

É o segredo da vida. Sentir uma alegria súbita quando recorda de que a geladeira foi consertada, a máquina de levar não estava estragada e aquele copo de cristal não quebrou, mesmo tendo escorregado de suas mãos e o fogo foi apagado antes que o feijão queimasse.

Tudo isso ajuda na média geral que você faz com as lágrimas que tem de chorar, o perigo que espreita, o trabalho que não espera, a palavra que ameaça e fere, a injustiça que revolta.Eu, particularmente vou continuar rindo feito louca do dia em que meus pés ficaram presos nas ventosas do tapete do banheiro que tinha sido virado, vou sentir uma ansiedade gostosa para ver o filme que eu tanto queria, do dia ensolarado justo quando resolvi lavar os tapetes, do manacá florido, de sentir prazer por uma asneirinha tola, de receber meus e-mails, de olhar o céu azul e imaginar coisas que podem nem acontecer.Mas aqui dentro de mim já começo a ser feliz por antecipação.

Maria Teoro Ângelo, 57 anos, Professora e jornalista –
 Ituverava/SP

Um comentário:

  1. São as coisas simples que nos trazem mais felicidade. Não precisamos de milhões de dinheiro para sermos felizes, basta um sorriso que ficará tudo bem. Embora um pouco de dinheiro ajude bastante no fim do mês.

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